terça-feira, 24 de maio de 2016

Nossa Senhora de Guadalupe

Nossa Senhora de Guadalupe apareceu pela primeira vez ao índio asteca Juan Diego. Na língua asteca, o nome Guadalupe significa, Perfeitíssima Virgem que esmaga a deusa de pedra. Os Astecas adoravam a deusa Quetzalcoltl, uma monstruosa deusa, a quem eram oferecidas vidas humanas em holocausto.
Nossa Senhora de Guadalupe, porém, veio para acabar com essa idolatria e mudar a vida daquele povo sofrido. No ano de 1539, mais de 8 milhões de Astecas tinham abraçado a fé católica, convertendo-se e acabando com a idolatria pagã. No México e em todo o mundo, Nossa Senhora de Guadalupe é muito venerada.

A aparição de Nossa Senhora de Guadalupe

Estava o índio Juan Diego no campo. Ele sofria por causa da grava enfermidade de seu tio a quem muito amava. Juan rezava por seu tio quando teve a visão de uma mulher com seu manto todo reluzente. Ela o chamou por seu nome e disse em nauátle, a língua asteca: Juan Diego, não deixe o seu coração perturbado. Eu não estou aqui? Não temas esta enfermidade ou angústia. Eu não sou sua Mãe? Você não esta sob minha proteção?
A Senhora pediu, então, que o índio fosse revelar sua mensagem ao Bispo local. A mensagem de que Ela iria acabar com a serpente de pedra, e que o povo do México iria parar com os holocaustos e se converter a Jesus Cristo. Além disso, deveria ser construída uma Igreja no local das aparições.

O Milagre de Nossa Senhora de Guadalupe

O Bispo não acreditou no índio, mas ordenou que ele pedisse um sinal à Senhora para provar a veracidade da história. Quando Juan Diego voltou para o campo, Nossa Senhora de Guadalupe apareceu novamente a ele. Este lhe contou sobre a desconfiança do Bispo, porque Maria tinha pedido que fosse construída também uma grande igreja naquele local.
Maria sorrindo, pediu a Juan Diego que subisse ao monte e enchesse seu poncho com flores. Era inverno. A neve recobria os campos. Naquela época, não nasciam flores naquela região do México. Juan Diego sabia disso. Porém, mesmo assim obedeceu. Chegando ao alto do monte em meio à neve, ele achou uma grande quantidade de flores cheias de grande beleza. Ele apanhou muitas flores, encheu seu poncho e foi levá-las ao Bispo.

O Segundo Milagre

Com dificuldade Juan Diego foi recebido pelo Bispo. Ele tinha seu poncho ou sua Tilma, dobrado cheio de rosas. Então, ele abriu a tilma e as flores caíram no chão. Quando o Bispo viu, ainda não acreditou. Então, para espanto de todos os que estavam na sala, no poncho do índio estava estampada a bela imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, como o índio tinha revelado ao Bispo. Todos na sala acreditaram, inclusive o bispo. Desse momento em diante, tudo mudou.
O fato causou grande comoção em todo o povo mexicano. Logo foi construída uma grande Igreja no local indicado por Nossa Senhora e o poncho de Juan Diego com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe impressa foi levado para ser venerado. Guadalupe se tornou o grande Santuário do México, e a devoção a Nossa Senhora de Guadalupe se estendeu por toda América Latina. Em 1979, o Papa João Paulo II consagrou Nossa Senhora de Guadalupe, como Padroeira da América Latina.

Estudos sobre o poncho

Estudos realizados sobre o poncho do índio Juan Diego, revelam que a pintura não foi feita por materiais existentes na natureza e nem fabricados pelo homem. Nos olhos de Maria, dentro da Iris e da pupila, vê-se a cena em que o índio abre sua tilma na sala do bispo, com todas as pessoas presentes na sala conforme foi descrito em documentos posteriores. Tem uma família de um lado, o índio e o Bispo do outro. O olho reflete a luz como o olho humano.
Em janeiro de 2001, o engenheiro peruano, José Aste Tonsmman, revelou o resultado da pesquisa de 20 anos, com a ajuda da NASA. Os olhos da imagem ampliados 2,500 vezes, mostram umas 13 pessoas, crianças, mulheres, o Bispo e o próprio índio Juan Diego, no momento da entrega do poncho ao Bispo.
Richard Kuhn, prêmio Nobel de química, descobriu que a imagem não tem corantes e que após 470 anos continuam com seu brilho. O pano do poncho não dura mais do que 20 anos e começa a se desfazer, o que não acontece com o poncho do milagre, que já dura quase 500 anos. Concluíram que o que forma a imagem de Nossa Senhora não é pintura. A fibra do ayate, cacto, são suportaria as tintas da época. Além disso, não existe esboço ou marca de pincel.

Milagres de Nossa Senhora de Guadalupe

Grandes milagres aconteceram ao longo dos quinhentos anos de história da aparição de Nossa Senhora de Guadalupe. O povo sofrido do México teve sua esperança renovada com esta visita e permanência de Nossa Senhora em suas terras.

Imagem de Nossa Senhora de Guadalupe

Nossa Senhora, em um ato de delicadeza, apareceu como uma índia, morena, vestida como uma índia grávida. Em sua roupa está retratado o céu com a posição das estrelas do dia em que ela apareceu. Os astecas sabiam reconhecer estes sinais e isso foi decisivo para que a conversão daqueles povos acontecesse em massa.

Oração a Nossa Senhora de Guadalupe

Perfeita, sempre Virgem Santa Maria, Mãe do verdadeiro Deus, por quem se vive. Mãe das Américas! Tu que na verdade és nossa mãe compassiva, te buscamos e te clamamos. Escuta com piedade nosso pranto, nossas tristezas. Cura nossas penas, nossas misérias e dores. Tu que és nossa doce e amorosa Mãe, acolhe-nos no aconchego de teu manto, no carinho de teus braços. Que nada nos aflige nem perturbe nosso coração. Mostra-nos e manifesta-nos a teu amado filho, para que Nele e com Ele encontremos nossa salvação e a salvação do mundo. Santíssima Virgem Maria de Guadalupe, faz-nos mensageiros teus, mensageiros da vontade e da palavra de Deus. Amem.

Nossa Senhora da Gloria

Nossa Senhora da Glória é o titulo que se refere a três verdades de fé professadas pela Igreja: a Dormição de Nossa Senhora, sua Assunçãoao céu em corpo e alma e sua Glorificação como Rainha do céu e da terra. São o quarto e o quinto Mistérios Gloriosos do Terço.

Dormição de Nossa Senhora

Dormição de Maria é uma verdade de fé professada pela Igreja. Segundo a Tradição da Santa Igreja Católica Apostólica Romana: Maria faleceu por volta dos 58 anos de idade, em Jerusalém. Após sua morte, seu corpo foi velado com grande emoção e vigílias pelos cristãos. Vários apóstolos vieram de longe para se despedirem da mãe do Salvador. Depois, seu corpo foi sepultado, provavelmente no Horto da Oliveiras.

O túmulo de Nossa Senhora da Glória fica vazio

Porém, um dos apóstolos, provavelmente por estar distante fisicamente, chegou a Jerusalém algumas horas depois que o corpo de Maria tinha sido sepultado.  E ele quis muito ver o corpo de Nossa Senhora pela última vez. Mas quando abriram o túmulo para que o apóstolo pudesse vê-la, o corpo da Virgem não estava mais lá. Todos, então, glorificaram a Deus reconhecendo que Maria tinha sido elevada ao céu não só em espírito, mas também em corpo físico. Por isso, desde os primórdios, os fiéis festejam a Assunção de Nossa Senhora e sua glorificação no céu. E é daí que se origina o título Nossa Senhora da Glória.
São João Damasceno (PG, I, 96) formula assim a tradição da Igreja de Jerusalém: São Juvenal, Bispo de Jerusalém, no Concílio de Calcedônia (451), levou ao conhecimento do Imperador Marciano e Pulquéria, que desejava possuir o corpo da Mãe de Deus, que Maria morreu na presença de todos os Apóstolos, mas que o seu túmulo, quando aberto, a pedido de St. Thomas, foi encontrado vazio; a partir do qual os Apóstolos concluiram que o corpo foi levado para o céu.

A Assunção de Nossa Senhora da Glória

Assunção quer dizer ser elevado(a), ou seja, Maria não subiu a céu pelo seu próprio poder, mas foi levada ao céu pelo poder de Deus. É o quarto Mistério Glorioso contemplado no Terço. A Assunção de Maria é também um dogma da Igreja Católica proclamado pelo Papa Pio XII em 1950. No documento eclesiástico promulgado em 1 de novembro de 1950, Festa de Todos os Santos, o Papa Pio XII declarou como dogma revelado por Deus que Maria, Mãe imaculada perpetuamente Virgem de Deus, após a conclusão da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória dos Céus . A Festa da Assunção de Nossa Senhora é celebrada no dia 15 de agosto.

Sinal para todo cristão

Festa da Assunção de Maria, como Nossa Senhora da Glória é um sinal para nós que um dia, pela graça de Deus e os nossos esforços, também poderemos nos juntar à Mãe Santíssima, dando glória a Deus. A Assunção é uma fonte de grande esperança para nós, pois aponta o caminho para todos os seguidores de Cristo, que imitam a sua fidelidade e obediência à vontade de Deus. Onde Nossa Senhora está agora, nós também estamos destinados a estar e podemos esperar por isso contando com a graça divina. O fato de Maria ser elevada ao céu depois que sua vida na terra terminou é o resultado lógico de sua natureza imaculada, exclusivamente protegida - também pela graça de Deus - do pecado original. Procuremos imitar o seu abnegado amor, sua fé indestrutível e sua obediência perfeita.

Catecismo cita Nossa Senhora da Glória

O Catecismo da Igreja Católica, capítulo 3, 6, diz:
Finalmente, a Virgem Imaculada, preservada e imune de toda mancha do pecado original, quando terminada sua vida terrena, foi levada em corpo e alma à glória celestial, e exaltada pelo Senhor como Rainha de todas as coisas, de modo que ela pode ser mais plenamente conformada com seu Filho, Senhor dos senhores e vencedor do pecado e da morte. A Assunção da Virgem é uma participação singular naRessurreição de Jesus e uma antecipação da ressurreição dos outros cristãos.

Imagem de Nossa Senhora da Glória

Nossa Senhora da Glória é representada com os braços abertos num ato de louvor a Deus, tendo sobre sua cabeça uma coroa de 12 estrelas, conforme é mencionado no livro do Apocalipse.

Nossa Senhora da Glória, um conforto nas dificuldades

Falando sobre Nossa Senhora da Glória, o Papa Bento XVI afirmou:
Ao contemplar Maria na glória celestial, entendemos que a terra não é a pátria definitiva para nós também, e que, se vivemos com o nosso olhar fixo nos bens eternos, a terra se tornará mais bela. Consequentemente, não devemos perder a serenidade e a paz mesmo no meio das milhares de dificuldades cotidianas. O sinal luminoso de Nossa Senhora recebida no céu brilha ainda mais intensamente quando as sombras tristes de sofrimento e violência parecem pairar no horizonte.
Podemos estar certos de que: do alto, Maria acompanha os nossos passos, com preocupação, gentil, dissipa a escuridão nos momentos de trevas e angústia, tranquiliza-nos com a sua mão materna. Apoiados por esta consciência, vamos continuar confiantes no nosso caminho de compromisso cristão onde quer que a Providência nos levar. Vamos avançar em nossas vidas sob a orientação de Maria .
Papa Bento XVI, Audiência Geral, em Castel Gandolfo no dia 16 de agosto de 2006.

Orações a Nossa Senhora da Glória

Pai amoroso, Vós que elevastes a Virgem Maria ao céu para compartilhar a vossa comunhão de amor, fazendo com que ela se torne exemplo e esperança para cada um de nós, pela vossa misericórdia e pelo sacrifício de nossas orações, aceitai-nos para aquele abraço santo e definitivo na glória eterna, junto convosco e com a Virgem Maria. Isso nós vos pedimos por Cristo nosso Senhor. Amém.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Nossa Senhora da Guia

Nossa Senhora da Guia e sua devoção surgiu, na verdade, na Igreja Ortodoxa, que é reconhecida pelo Vaticano. Entre os cristãos ortodoxos, Nossa Senhora da Guia é invocada com o nome de Odigitria. Este nome significa Condutora ou Guia. Isso porque Maria guiou Jesus em sua infância.  Tempos depois, o culto a Nossa Senhora da Guia foi incorporado na igreja Católica.

Nossa Senhora realmente guia

O papel de Maria, Mãe de Jesus, na história da salvação, é importantíssimo. Além do seu sim a Deus, de gerar Jesus Cristo como homem e de educá-lo como filho, ela guia o ser humano, conduzindo aqueles que querem para Deus. Nas Bodas de Caná, Maria disse uma frase que é emblemática desta sua missão de Guia da humanidade. Ela disse: Fazei tudo o que ele (Jesus) vos disser. Esta é uma das grandes missões de Nossa Senhora: conduzir-nos até Jesus. De fato, em todas as aparições, Nossa Senhora pede mudança de vida e que todos sigam o seu filho Jesus Cristo, para a salvação eterna.

A devoção a Nossa Senhora da Guia no Brasil

A devoção a Nossa Senhora da Guia chegou ao Brasil através dos portugueses no ano de 1745. Na ocasião, um capitão de navio trouxe uma imagem de Nossa Senhora da Guia juntamente com uma imagem de Nosso Senhor do Bonfim. As duas imagens ficaram num altar na igreja de Nossa Senhora da Penha, em Salvador, na Bahia.
Depois, o capitão, muito devoto, começou a construir uma igreja em honra de Nossa Senhora da Guia. Em sua empreitada, ele conseguiu conquistar vários devotos, que também se tornaram colaboradores na construção da Igreja, que hoje é a famosa Igreja do Bomfim. Terminada a construção, a Imagem de Nossa Senhora da Guia foi solenemente transportada junto com a imagem de Nosso Senhor do Bomfim. As obras duraram dez anos.

Representação

A imagem de Nossa Senhora da Guia é representada assim: num dos braços ela segura o menino Jesus no colo. Na outra mão, ela carrega uma estrela, que representa a Estrela de Belém que guiou os magos até o menino Jesus. Essa estrela representa também a estrela que guia todos os homens até Deus.

Devoção a Nossa Senhora da Guia

A pedido do povo, o Papa Pio VII definiu o segundo domingo depois da Epifania, em janeiro, como a data da festa de Nossa Senhora da Guia.

Oração a Nossa Senhora da Guia

Ó Maria santíssima, eu vos louvo e bendigo, porque aceitastes gerar em vosso seio puríssimo, por obra do Espírito Santo, Jesus o filho de Deus, Salvador do mundo, tornando-vos a Mãe e a primeira discípula daquele que veio para ser a Luz de todos os povos, o Caminho a Verdade e a Vida.
Vós que levastes Jesus ainda em vosso seio, para santificar João Batista no seio de sua mãe Isabel, vós que protegestes o menino Jesus, em seu nascimento, o amamentastes e lhe ensinastes os primeiros passos. Protegei as criancinhas, e guiai todas as mães para que elas ensinem a seus filhos a amar e a seguir Jesus.
Nossa Senhora da Guia, rogai por nós. Amém. 

Nossa senhora da Estrela



Uma peregrinação diferente

Dois monges beneditinos que moravam no convento de Monte Cassino, na Itália, resolveram fazer uma peregrinação até Jerusalém. Era o ano 1050. Eles saíram andando, ensinando e catequisando todas as pessoas que encontravam pelo caminho.

Um sono providencial

Nas suas andanças, já muito cansados, dormiram em uma praia. Estavam no litoral da Normandia, França, num lugar chamado Grand Champ. Um dormiu na praia e o outro dormiu em um pequeno barco que estava ali perto. A maré subiu e o barco foi arrastado para o mar sem que o monge percebesse, indo parar por milagre na costa da Inglaterra.

Um dos monges se torna bispo

Em Salisbury todos ficaram maravilhados, dizendo que era um milagre o monge ter atravessado o mar da França para a Inglaterra numa pequena canoa e não ter morrido. Logo o monge foi eleito Bispo e seu governo foi brilhante, pois era um homem de oração e sacrifícios em nome de Deus.

Um sonho muda uma vida

O outro monge, Padre Rogério, que ficou na praia, não entendeu nada do que poderia ter acontecido ao seu amigo que havia sumido, mas entregando tudo nas mãos de Deus, continuou sua viagem. Certa noite, quando foi dormir, teve um sonho que começou a mudar a sua vida.
No sonho, ele viu uma grande estrela cair do céu, queimando todos os arbustos e árvores, e ouviu uma voz que disse: "Nossa Senhora quer que se construa uma igreja neste lugar." Quando acordou, viu o lugar que vira em seu sonho e o mesmo estava todo queimado. Assim, entendeu que, realmente, deveria construir ali uma igreja em honra a Nossa Senhora. Ele sentiu no coração o desejo de dar a Maria o título de "Nossa Senhora da Estrela", por causa da estrela que vira em seu sonho.

Pequena Igreja

Por causa da pobreza dos moradores da região, o Padre Rogério construiu apenas um pequeno altar e uma pequeníssima capela, que seria a semente da grande Abadia de Nossa Senhora da Estrela de Monteburgo. Hoje, ela é imensa e abriga não só a Igreja como um convento bem grande.

Reencontro maravilhoso

O Rei Guilherme, que era Duque da Normandia e que vencera a Inglaterra, sabendo da história de Nossa Senhora da Estrela, mandou seu médico particular visitar a capelinha e saber como tudo aconteceu. Chegando lá, o médico descobriu que era irmão do monge Rogério! O irmão médico contou ao irmão monge sobre seu amigo que se tornara o Bispo de Salisbury. Os dois irmãos, emocionados, agradeceram a Nossa Senhora por ter proporcionado este reencontro.

A providência age através do rei

O Bispo de Salisbury, antigo amigo do monge Rogério, pediu para o Rei Guilherme ajudar seu irmão na fé, pois os dois foram abençoados por Nossa Senhora em sua peregrinação.

Grande abadia

O Rei Guilherme, de bom coração, doou ao Padre Rogério toda a região de Monteburgo, juntamente com os recursos para que fosse construída ali uma grande Igreja e uma Abadia que se tornou um grande seminário. A obra foi terminada pelo filho do Rei Guilherme, chamado Rei Henrique. Este, assumindo o trono, continuou a obra. A Abadia de Nossa Senhora da estrela foi, por muitos séculos, um centro de referência da Igreja para toda a região.

Oração a Nossa Senhora da estrela

"Ó Nossa Senhora da Estrela, para vós se volta nosso olhar e nosso coração de filhos. Vós sois a Estrela da Manhã que anuncia a chegada do dia; Vós sois a Estrela da Tarde que brilha em nossa noite; Vós sois a Estrela do Mar que nos guia para um porto feliz. Como a Estrela, envia seu raio sobre a terra, envie-nos vosso filho Jesus, Luz eterna do mundo. Através da escuridão e das tempestades da vida, nas horas de dúvida ou de tentação. Na revolta ou na fraqueza, sede nossa Claridade e nossa Paz. Sede nossa Esperança e nossa Pureza. Sede nossa Doçura e nossa Força. Ó Nossa Senhora da Estrela, que em vós descanse para sempre nosso olhar e nosso coração de filhos. rogai por nós. Amém."

Nossa Senhora das Dores

Nosssa Senhora das Dores ou Mater Dolorosa (Mãe Dolorosa) é um dos vários títulos que a Virgem Maria recebeu ao longo da história. Este título em particular refere-se às sete dores que Nossa Senhora sofreu ao longo de sua vida terrestre, principalmente nos momentos da Paixão de Cristo.                         

O culto

O culto a Nossa Senhora das Dores iniciou-se no ano 1221 no Mosteiro de Schönau, na então Germânia, hoje, Alemanha. A festa de Nossa Senhora das Dores como hoje a conhecemos, celebrada em 15 de setembro, teve início em Florença, na Itália, no ano de 1239 através da Ordem dos Servos de Maria, uma ordem profundamente mariana.

As sete dores de Nossa Senhora

1.       A profecia de Simeão sobre Jesus (Lucas, 2, 34-35)
2.       A fuga da Sagrada Família para o Egito (Mateus, 2, 13-21);
3.       O desaparecimento do Menino Jesus durante três dias (Lucas, 2, 41-51);
4.       O encontro de Maria e Jesus a caminho do Calvário (Lucas, 23, 27-31);
5.       O sofrimento e morte de Jesus na Cruz (João, 19, 25-27);
6.       Maria recebe o corpo do filho tirado da Cruz (Mateus, 27, 55-61);
7.       O sepultamento do corpo do filho no Santo Sepulcro (Lucas, 23, 55-56).

Imagem de Nossa Senhora das Dores

Nossa Senhora das Dores é representada com um semblante de dor e sofrimento, tendo sete espadas ferindo seu imaculado coração. Às vezes, uma só espada transpassa seu coração, simbolizando todas as dores que ela sofreu. Ela é também representada com uma expressão sofrida diante da Cruz, contemplando o filho morto. Foi daí que se originou o hino medieval chamado Stabat Mater Dolorosa (Estava a Mãe Dolorosa). Ela ainda é representada segurando Jesus morto nos braços, depois de seu corpo ser descido da Cruz, dando assim origem à famosa escultura chamada Pietà.

Nossa Senhora das Dores, mãe de todos os homens

Foi aos pés da Cruz, quando Maria viveu a sua dor mais crucial, que ela recebeu do Filho a missão de ser a Mãe de todos homens, Mãe da Igreja (Corpo Místico), Mãe de todos os fiéis. Foi naquele momento de dor que Jesus disse a ela: Mãe, eis aí o teu filho (este filho está simbolizando a todos os fiéis). Foi nesse mesmo momento que Jesus disse a São João, que ali representava a todos nós: Filho, eis aí tua mãe.É por isso que a devoção a Nossa Senhora das Dores se reveste de grande importância para todos os cristãos.

Promessas aos devotos de Nossa Senhora das Dores

Nas revelações dadas a Santa Brígida, aprovadas pela Igreja Católica, vemos sete graças maravilhosas que Nossa Senhora prometeu a quem rezar a cada dia sete Ave-Marias em honra de suas Sete dores, fazendo uma pequena meditação sobre essas dores. As promessas são as seguintes:
1ª - Porei a paz em suas famílias.  2ª - Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.  3ª - Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei nos seus trabalhos.  4ª - Conceder-lhes-ei tudo o que me pedirem, contanto que não se oponha à vontade de meu adorável Divino Filho e à santificação de suas almas.  5ª - Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.  6ª - Assistir-lhes-ei visivelmente no momento da morte e verão o rosto de Sua Mãe Santíssima.  7ª - Obtive de Meu Filho que, os que propagarem esta devoção (às minhas Lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhes-ão apagados todos os seus pecados e o Meu filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria. 

Promessas de Jesus a Santo Afonso

Santo Afonso Maria de Ligório recebeu revelações em que Nosso Senhor Jesus Cristo prometeu aos devotos de Nossa Senhora das Dores as seguintes graças:
1ª – Que aquele devoto que invocar a divina Mãe pelos merecimentos de suas dores merecerá fazer antes de sua morte, verdadeira penitência de todos os seus pecados.
2ª - Nosso Senhor Jesus Cristo imprimirá nos seus corações a memória de Sua Paixão dando-lhes depois um competente prêmio no Céu.  3ª - Jesus Cristo guardá-los-á em todas as tribulações em que se acharem, especialmente na hora da morte.  4ª - Por fim os deixará nas mãos de sua Mãe para que delas disponha a seu agrado, e lhes obtenha todos e quaisquer favores.

Terço de Nossa Senhora das Dores

Rosário das Lágrimas, ou, Terço das Lágrimas, ou Terço de Nossa Senhora das Dores é também um símbolo de Nossa Senhora das Dores. Ele tem 49 contas brancas divididas em sete partes de sete contas cada. Cada uma dessas sete partes representa uma das sete dores de Nossa Senhora. Contempla-se uma Dor de Maria e reza-se um Pai Nosso e sete Ave-Marias.

Oração a Nossa Senhora das Dores

Esta é a oração inicial do terço de Nossa Senhora das Dores.
Virgem Dolorosíssima, seríamos ingratos se não nos esforçássemos em promover a memória e o culto de vossas Dores particulares, graças para uma sincera penitência, oportunos auxílios e socorros em todas as necessidades e perigos. Alcançai-nos Senhora, de Vosso Divino Filho, pelos mérito de Vossas Dores e lágrimas, a graça...(pedir a graça). Amém.
Em seguida, reza-se o Terço das Dores, contemplando cada Dor e rezando 1 Pai Nosso e 7 Ave Marias em cada dor contemplada.

Nossa Senhora do Desterro

Nossa Senhora do Desterro tem origem na Bíblia como nos narra São Mateus em seu Evangelho (Mt 2, 13-23), quando a Sagrada Família teve que fugir com o Menino Jesus para o Egito, por causa da perseguição do Rei Herodes. Nossa Senhora permaneceu cerca de quatro anos fugitiva, desterrada no Egito.

História de Nossa Senhora do Desterro, padroeira dos exilados

A devoção dos refugiados, os que não tem Pátria, os que não tem esperança no futuro. Como os milhões de brasileiros que saem do país em busca de uma vida melhor. Ou os milhões de refugiados da guerra ao redor do mundo. Nossa Senhora do Desterro é a padroeira dos que tiveram que deixar sua Pátria para procurar trabalho em outro lugar ou se refugiaram em outras terras. Na Itália, ela é a Madona degli Emigrati, a Mãe dos imigrantes.
É a Mãe à qual todos rezam para serem bem recebidos em terras estrangeiras, para conseguirem novas amizades e trabalho.

Milagres de Nossa Senhora do Desterro

Maria nos ensina a espiritualidade do desterro, o saber acolher qualquer irmão de qualquer lugar. Como sempre dizia São Bento a seus monges: Chegou o visitante, chegou o migrante, chegou Cristo.
Os que rezam a Nossa Senhora do desterro, por sua promessa, serão protegidos contra a fome, a peste, a guerra e das doenças contagiosas. Os seus inimigos não terão poder de ofendê-los, nem roubá-los. Resistirão às tentações do demônio.
Todos os que tiverem confiança nas misericórdias da Mãe do Desterro, serão felizes em seus negócios e viagens. Não morrerão sem a confissão e ficarão livres de uma morte repentina.

Jesus Cristo foi desterrado

Como vimos, José e Maria tiveram que fugir de sua pátria com seu pequeno filho Jesus e ficaram lá por 4 anos. Jesus passou pela experiência do desterro, junto com sua família. E o  próprio Jesus nos diz no Evangelho de São MateusEu era forasteiro e me acolheste.

Devoção a Nossa Senhora do Desterro

No ano de 1673, o fundador de Florianópolis, cidade que se chamava Desterro, hoje capital de Santa Catarina, Francisco Dias Velho, trouxe uma imagem de Nossa Senhora do Desterro para a ilha e ali construiu uma pequena capela em honra de Maria do Desterro, iniciando sua devoção no Brasil.
Papa Pio X, quando da construção da Catedral de Florianópolis, dedicou Nossa Senhora do Desterro como Padroeira da cidade. Existem no Brasil muitas cidades que mantém a devoção a Nossa Senhora do Desterro, com capelas e igrejas em sua homenagem.

Oração a Nossa Senhora do desterro

Ó Bem Aventurada Virgem Maria, Mãe do Nosso Senhor Jesus Cristo, Salvador do Mundo, Rainha do Céu e da terra, advogada dos pecadores, auxiliadora dos cristãos, protetora dos pobres, consoladora dos tristes, amparo dos órfãos e viúvas, alivio das almas que penam, socorro dos aflitos, desterradora das indigências, das calamidades, dos inimigos corporais e espirituais, da morte cruel, dos tormentos eternos, de todo bicho e animal peçonhento, dos maus pensamentos, dos sonhos pavorosos, das cenas terríveis e visões espantosas, do rigor do dia do juízo final, das pragas, dos incêndios, desastres, bruxarias e maldições, dos malfeitores, ladrões, assaltantes e assassinos.
Minha amada Mãe, eu prostrado agora aos vossos pés, com piedosíssimas lágrimas, cheio de arrependimento das minhas pesadas culpas, por vosso intermédio imploro perdão a Deus infinitamente Bom.
Rogai a vosso Divino Filho Jesus, por nossas famílias, para que ele desterre de nossas vidas todos estes males, nos dê o perdão de nossos pecados, e nos enriqueça com sua divina graça e misericórdia.
Cobri-nos com vosso Manto maternal, ó divina estrela dos montes.
Desterrai de nós todos ao males e maldições. Afugentai de nós a peste e os desassossegos.
Possamos, por vosso intermédio, obter de Deus a cura de todas as doenças, encontrar as portas do Céu abertas, e convosco ser felizes por toda a eternidade. Amém.
Nossa Senhora do Desterro, rogai por nós que recorremos a Vós.

Nossa Senhora da Defesa

Nossa Senhora começou a ser venerada com esse título primeiramente na Catedral de Ozieri, que fica em Sassari, na Itália. Depois a devoção se espalhou pelo mundo.

Origens

O título Nossa Senhora da Defesa nasceu a partir de um episódio histórico, ocorrido na época das imigrações. Durante um rigoroso inverno, um exército dos Godos, vindos do norte, instalou-se ameaçadoramente na Bacia de Ampezzano, na Itália. Os habitantes da região logo começaram a se reunir para organizar uma defesa. Acontece que eram pobres, não tinham armas nem um exército treinado capaz de vencer inimigo tão poderoso. Por isso, começaram a se reunir para rezar, pedindo ajuda a Nossa Senhora. O povo permaneceu unido, em oração, pedindo e esperando auxílio do céu.

Nossa Senhora defende

Quando o exército Gogo partiu para o ataque, o povo intensificou as orações. De repente, ela, Nossa Senhora, apareceu sobre as nuvens. Ela estava com uma espada de fogo na mão direita e segurando o Menino Jesus no braço esquerdo. Em seguida, ela desceu sobre o local onde aconteceria o massacre. Nesse momento, nuvens espessas causaram enorme escuridão, de tal forma que os godos nada podiam ver. Atordoados e confundidos, começaram a lutar contra eles mesmos até que, por fim, destruíram-se uns aos outros. O povo italiano, emocionado e agradecido, a partir desse momento, passou a chamar a Virgem Maria de Nossa Senhora da Defesa.

Santuário

O mais antigo Santuário dedicado a Nossa Senhora da Defesa foi erguido em 1750. E, bem acima da porta principal, na fachada da igreja, uma pintura representa a história, contada através das gerações, sobre como Nossa Senhora da Defesa defendeu o povo da Bacia de Ampezzano. Entrando no santuário, vê-se no altar mor a estátua de Nossa Senhora da Defesa. Esta vem sendo venerada desde o Século XIV. Neste e em vários outros Santuários dedicados a Nossa Senhora da Defesa armazena-se milhares de relatos de milagres e graças alcançadas através da intercessão de Nossa Senhora da Defesa.

Oração a Nossa senhora da Defesa

“Oh! Nossa Senhora da Defesa, virgem poderosa, recorro a Vossa proteção contra todos os assaltos do inimigo, pois Vós sois o terror das forças malignas. Eu seguro no Vosso manto santo e me refugio debaixo dele para estar guardado, seguro e protegido de todo mal. Mãe Santíssima, Refúgio dos pecadores, Vós recebestes de Deus o poder para esmagar a cabeça da serpente infernal e com a espada levantada afugentar os demônios que querem acorrentar os filhos de Deus. Curvado sobre o peso dos meus pecados venho pedir a Vossa proteção hoje e em cada dia da minha vida, para que vivendo na luz do vosso filho, Nosso Senhor Jesus Cristo eu possa depois desta caminhada terrena, entrar na pátria celeste. Amém!”

Nossa Senhora das Cabeças

A Serra Morena esta localizada na Andaluzia, Espanha. O pico mais alto desta serra é o pico da Cabeça. La vivia um soldado das Cruzadas, Juan Alonso de Rivas, que era natural de Granada. Ele ficara mutilado perdendo um braço na guerra contra os muçulmanos. Por isso se tornou um pastor de ovelhas. Juan era um devoto de Maria Santíssima e sempre quando estava trabalhando com suas ovelhas, ficava rezando e pedindo a proteção de Nossa Senhora para si e seus familiares.

Visão de Nossa Senhora

No dia 12 de agosto de 1227, quando estava com seu rebanho perto do pico da Cabeça, Juan estava rezando. Então, de repente, ele viu uma grande luz e ouviu um barulho de um sininho tocando perto de onde estava. O sininho estava encaixado em um galho de árvore e não parava de tocar. Quando chegou mais perto, viu dentro de uma gruta que fica no cume do monte, uma imagem de Nossa Senhora.

Pedido de Nossa Senhora

Nesse momento, ele ouviu uma doce voz que vinha do Céu. A voz pediu que não tivesse medo, pois Juan estava apavorado com a visão. Nossa Senhora pediu para que ele fosse até o povoado de Andujar, que fica a 18 km da Serra Morena, e falasse de sua visão. Pediu também que Juan falasse para toda a cidade que Deus pedia a conversão de todos e que fosse construída naquele lugar uma grande igreja.

Primeiro milagre

Juan, com medo que os moradores do povoado não acreditassem nele, pediu a Nossa Senhora que lhe desse um sinal. Foi aí que aconteceu um grande milagre. Por interseção de Maria Santíssima, Juan teve o seu braço refeito, aquele mesmo braço que fora arrancado na guerra.
Ele não se conteve de tanta alegria, correu para o povoado para contar a boa nova do milagre e do pedido de Nossa Senhora. Todos ficaram maravilhados ao verem-no com o braço novamente em seu corpo.

O povo sobe a Serra da cabeça

O vigário de Andajur e todos correram para o pico da Serra da Cabeça para verem a imagem e venerar Nossa Senhora. Ela passou a ser chamada ali de Nossa Senhora da Cabeça. Trouxeram a imagem em procissão para o vilarejo, até que fosse construída a igreja que Nossa Senhora queria. Foi, então, construído um grande templo em honra a Nossa Senhora da Cabeça. Toda a região se converteu e passou a peregrinar sempre para a Serra Morena.

Outros milagres

Vários milagres começaram a acontecer e a nova devoção foi se espalhando por toda a região.
Um homem condenado à morte, jurando inocência, pediu um milagre para Nossa Senhora da Cabeça. Então, na hora de sua execução, chegou um mensageiro do Rei trazendo o perdão do condenado, dizendo que haviam errado em seu julgamento. Imediatamente todos começaram a gritar como sendo mais um milagre de Nossa Senhora da Cabeça. O homem mandou fazer uma cabeça de cera e a depositou aos pés da imagem em agradecimento.

Devoção

Deste fato em diante passaram a representar a imagem da Santa segurando uma cabeça em suas mãos. As pessoas passaram a pedir proteção para quem tem dores de cabeça e para os filhos que não estão bem na escola, para que Nossa Senhora da Cabeça os cure e proteja.

A devoção no Brasil

Nossa Senhora da cabeça é venerada na Catedral do Rio de Janeiro desde o ano de 1910.

Oração a Nossa Senhora da Cabeça

"Aqui estou, prostrado a vossos pés, ó Mãe do Céu e Senhora nossa. Tocai o meu coração a fim de que deteste sempre o pecado, e ame sempre a vida austera e cristã, que exiges de vossos devotos. Tende piedade das minhas misérias espirituais. E, ó Mãe terna, não vos esqueçais também das misérias que afligem o meu corpo e enchem de amargura a minha vida terrena. Dai-me saúde e forças para vencer todas as dificuldades que me opõe o mundo. Não permitais que minha pobre cabeça seja atormentada por males que me perturbem a tranqüilidade da vida. Pelos merecimentos de vosso Divino Filho, Jesus Cristo, e pelo amor a que ele consagrais, alcançai-me a graça que agora vos peço,(fazer o pedido), ai tendes, ó Mãe poderosa, a minha humilde súplica. Se quiserdes, ela será atendida. Nossa Senhora da Cabeça, rogai por nós. Amém."  

Nossa Senhora dos Aflitos


Esse título de Maria nos remete ao momento da morte de Jesus, quando o Mestre, em sua aflição de morte, entregou sua mãe como Mãe de toda a humanidade. E, na pessoa do Evangelista João, entregou toda a humanidade a ela. (Jo 19, 26)

Origens

A devoção a Nossa Senhora dos Aflitos começou quando Santo Euzébio, estando exilado na Terra Santa, encontrou uma pintura de Nossa Senhora dos Aflitos. Ao voltar do exílio, levou o quadro consigo e o deu de presente a São Máximo, então bispo de Turim, Itália. São Máximo construiu um altar dedicado à Virgem dos Aflitos dentro da Igreja de Santo André. A partir de então, a devoção começou na Itália e muitas graças aconteceram pela invocação de Nossa Senhora dos Aflitos. O quadro ficou exposto ali por mais de quatro Séculos.

Perseguição

No ano 820 a região de Turim foi invadida por bárbaros que destruíam tudo o que fizesse referência à fé cristã. Por isso, os religiosos escondiam todos os símbolos, imagens e artigos religiosos que podiam. Neste movimento, o quadro de Nossa Senhora dos Aflitos também foi escondido em catacumbas da igreja de Turim e ali ficou oculto por mais de um Século. O povo chegou a pensar que ele tinha sido destruído pelos invasores.

O quadro de Nossa Senhora dos Aflitos é redescoberto

Em 1014, Arduino, Marquês italiano, estando muito enfermo, teve uma visão de Nossa Senhora na qual a Virgem lhe pedia para construir uma igreja sobre as ruínas da igreja de Turim. Depois da visão, o Marquês ficou totalmente são. Então, em agradecimento, ele partiu para realizar o pedido de Nossa Senhora. Assim, ao escavar os escombros da igreja, encontraram o quadro de Nossa Senhora dos Aflitos intacto. E a pintura era exatamente como o Marquês Arduino tinha visto em suas visões da Virgem Maria. A igreja foi reconstruída e o quadro voltou para um lugar de destaque onde o povo ia fazer suas orações e agradecimentos pelas inúmeras graças recebidas. Porém, mais um Século se passou e eis que uma nova invasão assombrou Turim. O quadro de Nossa Senhora dos Aflitos foi escondido novamente e permaneceu assim por outros muitos anos.

O segundo grande milagre

Nossa Senhora dos Aflitos apareceu em sonhos a um cego longe da Itália, na França. Seu nome: John Ravais. No sonho, ela pediu que ele fosse a Turim escavar os escombros da igreja, encontrar a imagem e reconstruir a casa de Deus. John Ravais obedeceu, foi para Turim, falou com o bispo, este lhe deu todo apoio e começaram a escavar sob suas orientações. E, como a Virgem dos Aflitos tinha anunciado, encontraram o quadro intacto. Quando John Ravais tocou nele, ficou curado e voltou a enxergar.

Devoção a Nossa Senhora dos Aflitos

A partir deste milagre, o povo de Turim tomou Nossa Senhora dos Aflitos como padroeira. A devoção se espalhou pela região. Por causa dos milagres e graças alcançadas, a devoção se espalhou rapidamente pela Itália, pela Europa e pelo o mundo. O Santuário dedicado a Nossa Senhora dos Aflitos está conservado em Turim, para onde acorrem peregrinos de todas as partes do mundo.

Oração a Nossa Senhora dos Aflitos

“Lembrai-vos, ó doce mãe, Nossa Senhora dos Aflitos, que nos foi dada por Jesus para nosso amparo e proteção! Cheios de confiança na vossa bondade nós imploramos o vosso auxílio. Socorrei a mim e aqueles pelos quais eu rezo... (coloque a sua intenção, faça seu pedido). Mãe querida, Senhora dos Aflitos, acolhei benigna essas nossas súplicas e dignai-vos atendê-las estendei sobre nós a vossa intercessão, voltai para nós vossos olhos misericordiosos. Ave Maria, cheia de graça...
Coração de Jesus crucificado, fonte de amor e de perdão, tende piedade de nós! Ó virgem, mãe dos aflitos, estendei vosso manto protetor sobre mim e minha família, ó virgem gloriosa e bendita. Amém.”

Nossa Senhora dos Trinta e três

Origem
O nome “Nossa Senhora dos Trinta e Três” parece realmente estranho para quem não conhece suas origens. Pensa-se, a princípio, que, talvez, tenha alguma relação com a idade de Cristo, mas não tem. A origem do nome e da devoção a Nossa Senhora dos Trinta e Três está ligada, na verdade, à história fantástica de libertação do povo uruguaio.
33 soldados corajosos
O Uruguai estava em guerra pela sua libertação. E aconteceu que em maio de 1823, antes da última batalha, que seria decisiva para a conquista da liberdade e criação de um novo país, 33 soldados comandados pelo general Juan Lavalleja, provenientes do Brasil, postaram-se em frente ao altar da Virgem de Luján deI Pintado, que fica na cidade uruguaia de Florida, e renovaram um juramento extremo, que acabou denominado de "Liberdade ou Morte".
Conquistando a liberdade
Após o juramento diante da Virgem, os soldados entraram na batalha final cheios de força renovada. Eles conquistaram as cidades de Colônia, Soriano, Guadalupe, San José e Florida. Após a conquista, instalaram um governo provisório em Flórida, já sabendo que uma nova nação estava sendo fundada. Para selar a vitória e a fundação do novo país, os soldados e todo o povo foram à igreja pedir o auxílio divino, como também o auxílio da Virgem Maria. Ali rezaram e consagraram o Uruguai à Virgem Maria.
Constituição
Em 25 de agosto de 1825, em Florida, foi reunida a Assembleia Nacional Constituinte da República do Uruguai. Nesta ocasião, declararam oficialmente a Independência do Uruguai. Depois de terminada a redação e lida a ata perante todo o povo, todos, governantes leitos, militares e civis foram até à igreja e se puseram ajoelhados diante da imagem pequenina de Nossa Senhora, colocando o Uruguai debaixo da proteção materna da Virgem Maria. Depois disso, todos, de dentro da igreja e de fora na praça, que estava lotada, cantaram o Te Deum, que é um hino de ação de graças e louvor a Deus. Em seguida, o pároco abençoou o povo e os seus heróis.
Nossa Senhora dos Trinta e Três
A partir desse momento glorioso para a nação uruguaia, o povo passou a chamar a imagem milagrosa da Virgem Maria de “Nossa Senhora dos Trinta e Três”, em homenagem aos 33 soldados que lutaram sob a proteção da Mãe de Deus. Em 1857, o general Manuel Oribe,  segundo chefe dos 33 soldados ofereceu uma coroa preciosa à Virgem dos Trinta e Três, como forma de agradecimento pela vitória. Esta coroa é conservada até hoje no tesouro da catedral de Flórida.
A imagem de Nossa Senhora dos Trinta e Três
A imagem de Nossa Senhora dos Trinta e Três tem apenas 36 centímetros de altura e é inspira uma estátua mariana chamada “Assunção de Murillo”. Ela foi esculpida por um índio da região. Após esculpi-la, o índio expôs a imagem para a veneração do povo numa capela que ficava na Serra do Pintado, perto de uma aldeia dirigida pelos jesuítas.  Mais tarde, a imagem foi trasladada solenemente para a catedral de Flórida. Aos pés da imagem há uma inscrição que diz: "Diante desta imagem de Nossa Senhora de Luján del Pintado, os trinta e três inclinaram sua bandeira tricolor; a Ela também invocaram os Convencionais da Independência. Nossa Senhora dos Trinta e Três relembra os 33 homens que, sob a proteção de Nossa Senhora,
empreenderam a independência do país em 1825”.
Padroeira do Uruguai
Em 1961 a Conferência Episcopal do Uruguai pediu ao Papa João XXIII que proclamasse Nossa Senhora dos Trinta e Três como Padroeira do Uruguai. O Papa atendeu ao pedido dos bispos uruguaios.