segunda-feira, 23 de maio de 2016

Nossa Senhora dos Aflitos


Esse título de Maria nos remete ao momento da morte de Jesus, quando o Mestre, em sua aflição de morte, entregou sua mãe como Mãe de toda a humanidade. E, na pessoa do Evangelista João, entregou toda a humanidade a ela. (Jo 19, 26)

Origens

A devoção a Nossa Senhora dos Aflitos começou quando Santo Euzébio, estando exilado na Terra Santa, encontrou uma pintura de Nossa Senhora dos Aflitos. Ao voltar do exílio, levou o quadro consigo e o deu de presente a São Máximo, então bispo de Turim, Itália. São Máximo construiu um altar dedicado à Virgem dos Aflitos dentro da Igreja de Santo André. A partir de então, a devoção começou na Itália e muitas graças aconteceram pela invocação de Nossa Senhora dos Aflitos. O quadro ficou exposto ali por mais de quatro Séculos.

Perseguição

No ano 820 a região de Turim foi invadida por bárbaros que destruíam tudo o que fizesse referência à fé cristã. Por isso, os religiosos escondiam todos os símbolos, imagens e artigos religiosos que podiam. Neste movimento, o quadro de Nossa Senhora dos Aflitos também foi escondido em catacumbas da igreja de Turim e ali ficou oculto por mais de um Século. O povo chegou a pensar que ele tinha sido destruído pelos invasores.

O quadro de Nossa Senhora dos Aflitos é redescoberto

Em 1014, Arduino, Marquês italiano, estando muito enfermo, teve uma visão de Nossa Senhora na qual a Virgem lhe pedia para construir uma igreja sobre as ruínas da igreja de Turim. Depois da visão, o Marquês ficou totalmente são. Então, em agradecimento, ele partiu para realizar o pedido de Nossa Senhora. Assim, ao escavar os escombros da igreja, encontraram o quadro de Nossa Senhora dos Aflitos intacto. E a pintura era exatamente como o Marquês Arduino tinha visto em suas visões da Virgem Maria. A igreja foi reconstruída e o quadro voltou para um lugar de destaque onde o povo ia fazer suas orações e agradecimentos pelas inúmeras graças recebidas. Porém, mais um Século se passou e eis que uma nova invasão assombrou Turim. O quadro de Nossa Senhora dos Aflitos foi escondido novamente e permaneceu assim por outros muitos anos.

O segundo grande milagre

Nossa Senhora dos Aflitos apareceu em sonhos a um cego longe da Itália, na França. Seu nome: John Ravais. No sonho, ela pediu que ele fosse a Turim escavar os escombros da igreja, encontrar a imagem e reconstruir a casa de Deus. John Ravais obedeceu, foi para Turim, falou com o bispo, este lhe deu todo apoio e começaram a escavar sob suas orientações. E, como a Virgem dos Aflitos tinha anunciado, encontraram o quadro intacto. Quando John Ravais tocou nele, ficou curado e voltou a enxergar.

Devoção a Nossa Senhora dos Aflitos

A partir deste milagre, o povo de Turim tomou Nossa Senhora dos Aflitos como padroeira. A devoção se espalhou pela região. Por causa dos milagres e graças alcançadas, a devoção se espalhou rapidamente pela Itália, pela Europa e pelo o mundo. O Santuário dedicado a Nossa Senhora dos Aflitos está conservado em Turim, para onde acorrem peregrinos de todas as partes do mundo.

Oração a Nossa Senhora dos Aflitos

“Lembrai-vos, ó doce mãe, Nossa Senhora dos Aflitos, que nos foi dada por Jesus para nosso amparo e proteção! Cheios de confiança na vossa bondade nós imploramos o vosso auxílio. Socorrei a mim e aqueles pelos quais eu rezo... (coloque a sua intenção, faça seu pedido). Mãe querida, Senhora dos Aflitos, acolhei benigna essas nossas súplicas e dignai-vos atendê-las estendei sobre nós a vossa intercessão, voltai para nós vossos olhos misericordiosos. Ave Maria, cheia de graça...
Coração de Jesus crucificado, fonte de amor e de perdão, tende piedade de nós! Ó virgem, mãe dos aflitos, estendei vosso manto protetor sobre mim e minha família, ó virgem gloriosa e bendita. Amém.”

Nossa Senhora dos Trinta e três

Origem
O nome “Nossa Senhora dos Trinta e Três” parece realmente estranho para quem não conhece suas origens. Pensa-se, a princípio, que, talvez, tenha alguma relação com a idade de Cristo, mas não tem. A origem do nome e da devoção a Nossa Senhora dos Trinta e Três está ligada, na verdade, à história fantástica de libertação do povo uruguaio.
33 soldados corajosos
O Uruguai estava em guerra pela sua libertação. E aconteceu que em maio de 1823, antes da última batalha, que seria decisiva para a conquista da liberdade e criação de um novo país, 33 soldados comandados pelo general Juan Lavalleja, provenientes do Brasil, postaram-se em frente ao altar da Virgem de Luján deI Pintado, que fica na cidade uruguaia de Florida, e renovaram um juramento extremo, que acabou denominado de "Liberdade ou Morte".
Conquistando a liberdade
Após o juramento diante da Virgem, os soldados entraram na batalha final cheios de força renovada. Eles conquistaram as cidades de Colônia, Soriano, Guadalupe, San José e Florida. Após a conquista, instalaram um governo provisório em Flórida, já sabendo que uma nova nação estava sendo fundada. Para selar a vitória e a fundação do novo país, os soldados e todo o povo foram à igreja pedir o auxílio divino, como também o auxílio da Virgem Maria. Ali rezaram e consagraram o Uruguai à Virgem Maria.
Constituição
Em 25 de agosto de 1825, em Florida, foi reunida a Assembleia Nacional Constituinte da República do Uruguai. Nesta ocasião, declararam oficialmente a Independência do Uruguai. Depois de terminada a redação e lida a ata perante todo o povo, todos, governantes leitos, militares e civis foram até à igreja e se puseram ajoelhados diante da imagem pequenina de Nossa Senhora, colocando o Uruguai debaixo da proteção materna da Virgem Maria. Depois disso, todos, de dentro da igreja e de fora na praça, que estava lotada, cantaram o Te Deum, que é um hino de ação de graças e louvor a Deus. Em seguida, o pároco abençoou o povo e os seus heróis.
Nossa Senhora dos Trinta e Três
A partir desse momento glorioso para a nação uruguaia, o povo passou a chamar a imagem milagrosa da Virgem Maria de “Nossa Senhora dos Trinta e Três”, em homenagem aos 33 soldados que lutaram sob a proteção da Mãe de Deus. Em 1857, o general Manuel Oribe,  segundo chefe dos 33 soldados ofereceu uma coroa preciosa à Virgem dos Trinta e Três, como forma de agradecimento pela vitória. Esta coroa é conservada até hoje no tesouro da catedral de Flórida.
A imagem de Nossa Senhora dos Trinta e Três
A imagem de Nossa Senhora dos Trinta e Três tem apenas 36 centímetros de altura e é inspira uma estátua mariana chamada “Assunção de Murillo”. Ela foi esculpida por um índio da região. Após esculpi-la, o índio expôs a imagem para a veneração do povo numa capela que ficava na Serra do Pintado, perto de uma aldeia dirigida pelos jesuítas.  Mais tarde, a imagem foi trasladada solenemente para a catedral de Flórida. Aos pés da imagem há uma inscrição que diz: "Diante desta imagem de Nossa Senhora de Luján del Pintado, os trinta e três inclinaram sua bandeira tricolor; a Ela também invocaram os Convencionais da Independência. Nossa Senhora dos Trinta e Três relembra os 33 homens que, sob a proteção de Nossa Senhora,
empreenderam a independência do país em 1825”.
Padroeira do Uruguai
Em 1961 a Conferência Episcopal do Uruguai pediu ao Papa João XXIII que proclamasse Nossa Senhora dos Trinta e Três como Padroeira do Uruguai. O Papa atendeu ao pedido dos bispos uruguaios.


domingo, 7 de abril de 2013

Virgem da Revelação




Virgem da Revelação – Très Fontane – Roma


Bruno Cornachiola nasceu em 1913. Tinha mais cinco irmãos e vivia numa família com problemas de relacionamento. Com 14 anos, saiu de casa e viveu como andarilho pelas ruas de Roma. Casou-se com 23 anos. Foi a Espanha, como voluntário, para lutar a favor dos comunistas na guerra civil. Lá fez amizade com um fanático protestante alemão e com ele decidiu lutar contra o catolicismo. Em 1939, retornou à Itália odiando a Igreja Católica e nutrindo o proposito de matar o Papa. Fez de tudo para afastar a esposa do catolicismo; queimou as imagens dos santos e um crucifixo que a esposa tinha em casa. Depois, a esposa, para evitar brigas, deixou de frequentar a Igreja Católica.


No dia 12 de abril de 1947, Bruno e os três filhos foram passear no parque das Trè Fontane, onde, segundo a tradição, São Paulo foi decapitado. Enquanto os filhos brincavam, Bruno escrevia alguns tópicos para a conferencia que faria, para demonstrar que Nossa Senhora não era virgem, nem imaculada, nem levada ao céu. De repente, o filho menor Gianfranco, em busca da bola, desaparece. O pai é avisado. Todos procuram. Os dois irmãos entram na gruta e veem o irmãozinho ajoelhado e dizendo: “Bela Senhora!” Ao se aproximarem, caem também de joelhos e repetem: “Bela Senhora!” Bruno continua chamando os filhos e estes não respondem. Vê-os ajoelhados. Entra na gruta, passa diante dos filhos e exclama: “Deus, salva-nos!” Ao dizer isto, sente duas mãos que lhe tocam os olhos e ele os fechas. Quando os abre vê a “Bela Senhora”. Nesta hora uma grande alegria lhe invade o coração. Nossa Senhora trazia na mão direita uma Bíblia, com isto Ela lhe dá a entender que a Virgindade, Imaculada e Assunção aos céus têm base na Bíblia e que a Revelação está escrita nela. Bruno ouve: “Eu sou a Virgem da Revelação”. Tu me perseguiste. Agora basta! Entra na Santa Grei. O Deus prometido é e fica imutável. As nove sextas-feiras ao Sagrado Coração que fizeste, forçado pelo amor de tua fiel esposa, antes que tu tomasses definitivamente a estrada do erro, te salvaram!”


Nossa Senhora pede a Bruno que procure um sacerdote indicado por Ela e dá-lhe uma mensagem que deveria ser levado ao Santo Padre.


Ao retornarem para casa, as crianças contaram à mãe o que havia acontecido.


Bruno mudou de vida daquele dia em diante. Encontrou depois de muito tempo, o sacerdote indicado por Nossa Senhora, o qual o instruiu sobre as verdades da fé católica.


Em 09 de dezembro de 1949, Bruno se encontrou com Pio XII e a ele comunicou a mensagem da Virgem. O papa Pio XII já sabia, através da vidente Luigina Sinapi (1916 – 1978), que em 1937 houve uma aparição de Nossa Senhora na mesma gruta. Nesta ocasião Ela lhe disse: “Eu retornarei a esse mesmo lugar para converter um homem que lutará contra a Igreja de Cristo e desejará assassinar o Santo Padre. Vai agora à Basílica de S. Pedro e lá encontrarás uma religiosa que te fará conhecer o seu irmão, que é um cardeal. A ele deves levar a mensagem. Deverás dizer ao cardeal que logo mais ele será o novo papa”.


A vidente foi a Basílica e encontrou a marquesa Pacelli, irmã do cardeal Eugenio Pacelli, a qual a levou ao irmão. “O cardeal depois de ouvi-la, disse: Se são flores, florirão”.


Assim se entende porque em 1947, o papa logo acreditou nas aparições de “Trè Fontane” e, alguns meses depois em 05 de Outubro, benzeu a estátua da Virgem Maria que seria colocada na Gruta.


O papa encontrou-se várias vezes com a vidente Luigina Sinapi. Também a esta Nossa Senhora deixou mensagens. Disse a ela; “Eu sou a Mãe de Deus e por isso a Mãe de todos os homens e também tua. Sofra e expie por todos os povos. Eu vos levarei a todos, com o meu amor, a Jesus. Para aqueles que tu me confiaste eu digo: Sedes fortes e tomai os sofrimentos com mais amor. Os homens devem compreender que os sofrimentos preparam para as graças…”


Voltando a falar sobre Bruno, este, retornando a “Trè Fontane”, teve outras aparições neste lugar. No dia 5 de maio de 1947 ele estava agradecendo a graça da conversão, quando Nossa Senhora lhe apareceu sorridente, sem falar. Era maneira de mostrar sua alegria pela volta do filho pródigo. Alguns anos depois, Ela apareceu e lhe disse: “Neste lugar quero ter um santuário e ser venerada com os novos títulos: VIRGEM DA REVELAÇÃO E MÃE DA IGREJA. A minha a casa deve estar aberta para todos, a fim de que possam entrar nela, a casa do socorro, e se converterem. Os sedentos e confusos virão aqui para rezar e encontrar o sentido da vida”.


Deus é fiel em suas promessas. Salva Bruno porque fez as primeiras sextas-feiras do mês, em desagravo ao Coração de Jesus. Cristo envia sua Mãe para trazê-lo à verdadeira Igreja, a Católica.


Fonte:


segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Nossa Senhora da Boa Morte

A devoção à Nossa Senhora da Boa Morte chegou aos cristãos do Ocidente, através da tradição cristã do Oriente, sob o título de "Dormição da Assunta". Talvez, esse seja o culto mariano mais antigo, iniciado logo nos primeiros séculos do cristianismo. A última metade do século V foi marcada pela propagação de uma literatura apócrifa, isto é, escrita na época dos fatos, mas não incluída na Bíblia, sobre a morte e assunção da Virgem; e a construção de uma Basílica para venerar o túmulo da Mãe de Deus, por ordem da imperatriz Eudóxia. Isso acabou provocando a mudança do conteúdo temático do culto de 15 de agosto, para a "Dormição da Assunta", já no início do século VI. Os escritos apócrifos revelavam que, a Virgem Maria teria entrado em "Dormição", isto é, entrado no sono da morte rodeada pelos apóstolos. O seu corpo imaculado foi levado por eles a um sepulcro novo no Getsêmani. Três dias depois, eles voltaram ao local e o encontraram vazio e com odor de flores. A Mãe fôra "Assunta", isto é, subira ao céu em corpo e alma. No século VII, o imperador Maurício prescreveu que essa festa mariana fosse celebrada em todos os seus domínios, como uma das mais importantes. E finalmente, o Papa Sérgio I a introduziu na liturgia de Roma. Desse modo, o culto "Dormição da Assunta" ou "Dormição da Mãe de Deus" alcançou toda a Igreja, do Oriente e do Ocidente. A Igreja do Oriente, se dedicou ao culto da devoção da Mãe de Deus, até por ser a mais primitiva. Muitas igrejas cobertas de ícones sagrados foram erguidas em todos as regiões, nesse período bizantino. Os lugares sagrados, marcados pelos acontecimentos da Revelação do Mistério de Deus, foram guardados dentro de magníficos templos cobertos de ícones. Os ícones não foram feitos para adornar o templo, são pinturas que representam os símbolos sagrados da Igreja e descrevem o Evangelho. Assim, uma grande profusão de ícones invadiu a Igreja do Ocidente, especialmente os da Mãe de Deus. A Virgem Santíssima, além de ser invocada e representada em "Dormição", foi chamada de "Assunta", como seu filho foi elevada ao céu, pelo mérito de Cristo, obtendo a Redenção corpórea.

domingo, 7 de agosto de 2011

Nossa Senhora do Café


A invocação a Nossa Senhora do Café começou há sete anos, na cidade de Espírito Santo do Pinhal, no Estado de São Paulo, em decorrência das dificuldades por que passa o setor cafeeiro na região.  Ela não apareceu a ninguém. Veio do Rio de Janeiro, desenhada numa folha de papel, via correio. É uma história muito curiosa, cujo começo está em Nossa Senhora Aparecida, chamada “minha” Nossa Senhora do Café, em artigo publicado nos Anais Franciscanos, no ano de 1964. O titulo do artigo foi: “Minha Nossa Senhora do Café".
Este tema de Nossa Senhora do Café voltou a aparecer em público porque a Cooperativa dos Cafeicultores de Espírito Santo do Pinhal tem um jornal, e seu redator pediu-me um artigo sobre qualquer assunto. Tive então a inspirada ideia de escrever um artigo com o mesmo título daquele que escrevera em 1964: “minha” Nossa Senhora do Café.
O professor Albertino Fonseca, certamente inspirado pelo Espírito Santo (padroeiro de nossa cidade), idealizou e desenhou o “design” da imagem, em bico de pena, uma Nossa Senhora, colocando-lhe a inscrição: Nossa Senhora do Café do Brasil. Tendo-a remetido a Pinhal, ficamos todos surpresos e felizes, porque nunca tínhamos pensado nem ouvido falar em "Nossa Senhora do Café".
Tiramos cópias do desenho, registramos a data da chegada: 8 de setembro de 2001 e as Boas vindas foram dadas pelos representantes do comércio local, pela Câmara Municipal, por monsenhor Augusto Ferreira e pela Coopinhal, a Cooperativa de Café. Em assembleia realizada É com a presença do monsenhor Augusto e cooperados, escolhemos o dia 9 de agosto para celebrar Nossa Senhora do Café, data da fundação da Cooperativa que, no ano seguinte, construiu-lhe uma capela, cuja planta, do arquiteto pinhalense Alexandre Vitta, é uma réplica de um armazém de café do século 18, expandindo-se a nova invocação mariana.
A pequena imagem de Nossa Senhora do Café, feita por um escultor de Pedreira (SP), Pedro Carlos de Oliveira, substituiu a anterior, que não dava reprodução. E quando ficamos sabendo da Expo Católica 2004, em São Paulo, vimos a ótima oportunidade de divulgação dessa nova devoção à Mãe do Filho de Deus.
As pessoas acharam-na linda! Morena, de manto na cor do café torrado, túnica e véu da cor, do café cru, bem brasileira, uma vez que, na Colômbia, a "Virgem del Café" traz as características da arte colombiana
(Publicado originalmente na Revista Vicentina Adoremos). 

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Nossa Senhora da Caridade do Cobre

Nossa Senhora da Caridade do Cobre


Festa: 08 de setembro

 Em Cuba, certa manhã de 1607 ou 1608, dois irmãos indígenas, João e Rodrigo de Joyos, e o crioulo João Moreno, de mais ou menos uns 10 anos, foram enviados pelo administrador das estâncias de Varajagua às costas de Nipe, para de lá trazerem certa quantidade de sal. Chegando lá encontraram um mar agitadíssimo por causa de um forte vento que soprava e da chuva que caía. Perceberam então que era impossível executar a tarefa a qual foram encarregados. Refugiaram-se em uma choça e lá permaneceram durante três dias, até que a tempestade cessou e puderam embarcar em uma canoa para dirigir-se às salinas da costa.

Pelas 5 horas da manhã, perceberam um vulto, que flutuava na direção deles. Pensaram, em princípio, se tratar de uma ave aquática, mas, ao se aproximarem do vulto, notaram que era uma imagem de Nossa Senhora, que vinha sobre uma tábua, na qual se lia a seguinte inscrição: “Eu sou a Virgem da Caridade”. A imagem tinha o rosto redondo, de cor clara, e sustentava no braço esquerdo o menino, que levava em uma das mãos a esfera, símbolo do mundo, tendo a outra levantada em atitude de dar a bênção. Ela inspirava respeito e veneração.

Os meninos então recolheram a imagem, e perceberam que nem a orla do vestido de Nossa Senhora havia se molhado. Recolheram também, com muita pressa, a quantidade de sal que deveriam levar, e conduziram com muito cuidado a imagem para a estância de Varajagua.

Os trabalhadores da estância, sabendo da imagem, preparam um modesto altar e receberam Nossa Senhora com alegria e devoção. Quando o acontecimento chegou ao conhecimento do administrador da estância, ele ordenou que se construísse uma ermida, com uma luz que ardesse constantemente diante da imagem. Enviou também uma comissão de homens competentes para que se informasse sobre o aparecimento da imagem, e para depois levá-la em procissão para o povoado de Cobre. Na procissão, com muitos cantos em louvor a Nossa Senhora, a imagem foi reconhecida como a Rainha da Ilha. A imagem de Nossa Senhora da Caridade, então, foi conduzida e colocada no altar-mor da igreja paroquial.

Em 1703, pelo número grande de romeiros que vinham de todas as regiões implorar a bondade de Nossa Senhora da Caridade, foi construído o atual santuário no lugar indicado pela própria Mãe de Deus, num outeiro que dista 430 passos da vila de Cobre. A festa principal do santuário celebra-se em 8 de setembro, anualmente, com grande número de fiéis.

Os pobres e os enfermos vão em busca de alívio, e são inúmeros os prodígios alcançados graças a Nossa Senhora da Caridade.

Oração a Nossa Senhora da Caridade

Santa Maria da Caridade que vieste como mensageira da paz, flutuando sobre o mar. A Ti acudimos, Santa Mãe de Deus, para honrar-Te com nosso amor filial. Em Teu coração de Mãe colocamos nossos anseios e esperanças, nossas alegrias e súplicas.

Por nossa pátria, para que juntos, todos construamos a paz e a concórdia; pelas famílias, para que vivam a fidelidade e o amor; pelas crianças, para que cresçam sadios física e espiritualmente; pelos jovens, para que reafirmem sua fé e sua responsabilidade na vida e em tudo o que lhe dá sentido; pelos doentes e marginalizados, pelos que sofrem a solidão, pelos que estão distantes de suas pátrias e por todos que trazem o sofrimento em seus corações.

Pela Igreja e sua missão evangelizadora; pelos sacerdotes e diáconos, religiosos e leigos.

Pela vitória da justiça e do amor em nosso povo.

Mãe da Caridade sob seu amparo nos colocamos! Bendita és Tu entre todas as mulheres e bendito é o fruto do Teu ventre!

A Deus a Glória e o Poder, pelos séculos dos séculos. Amém!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Nossa Senhor do Líbano



A devoção dos libaneses a Nossa Senhora é antiga. Remonta aos primeiros séculos da Igreja, pois seus ancestrais conheceram Maria pessoalmente. A proteção da Virgem aliada à de São Maron salvou o Líbano de muitos perigos, conservando a sua autonomia no decorrer dos séculos e confirmando seus habitantes na fé católica.
Em princípios deste século, no ano de 1904, o patriarca maronita Elias Hoayeck resolveu construir no cume do Haruça, no Monte Líbano, defronte à Baía de Djuniche, num dos lugares mais belos do país, entre o mar azul e o cimo das lendárias cordilheiras, um templo para comemorar o cinqüentenário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição.
Nossa Senhora do Líbano
A construção, iniciada naquele ano, foi inaugurada em 1908.
O belo monumento é composto por uma capela circular, com o formato de uma torre, rodeada por longa rampa em espiral. Sobre o santuário encontra-se uma imagem da Imaculada Conceição, mandada fazer na França e pesando cerca de 14 toneladas. Este templo é continuamente visitado por milhares de fiéis procedentes de todo o Oriente e também da Europa, que vêm agradecer a Nossa Senhora do Líbano os inúmeros milagres e graças alcançadas em seu intermédio.
Para melhor transportar os peregrinos, foram construídos quarenta teleféricos, que partem da cidade de Djuniche, situada à beira-mar, e se dirigem à montanha do santuário, descortinando aos olhos dos transeuntes um esplêndido panorama.
Em 1954, o papa João XXIII, então Cardeal, coroou solemente a estátua de Nossa Senhora do Líbano, por ocasião do cinquentenário de sua construção e do centésimo aniversário da proclamação do dogma da Imaculada Conceição.
Nossa Senhora do Líbano possui muitos devotos no Brasil, principalmente entre os membros da colônia sírio-libanesa. Existem templos dedicados à Nossa Senhora do Líbano em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Nossa Senhora da Oliveira


A devoção a Nossa Senhora da Oliveira sempre foi muito popular em Portugal. Prova disso são as inúmeras paróquias a ela dedicadas nesse país. Em Minas Gerais, a devoção a Senhora da Oliveira chegou com os aventureiros que afluíam para a Capitania das Minas em busca do ouro e acabou dando nomes a algumas localidades como: o Arraial de Nossa Senhora da Oliveira do Piranga, Capela de Nossa Senhora da Oliveira de Borda do Campo, Capela de Nossa Senhora da Oliveira na freguesia do Sumidouro. Em Portugal, Nossa Senhora da Oliveira era invocada como padroeira dos oficiais confeiteiros, carpinteiros de carruagem e de carros em geral e dos picheleiros

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Nossa Senhora da Divina Providência



O título Nossa Senhora da Divina Providência não é novo, pois já era usado em vários santuários da Itália desde o século XII, tendo sempre por objeto quadros e afrescos representando a Virgem Santíssima com o Menino nos braços. Mas só em 1732 se inicia o movimento religioso oficialmente reconhecido pela Santa Sé, o qual se espalhou em todo o mundo, atraindo multidões.
Um contratempo deu ocasião à inauguração do quadro célebre exposto à veneração pública em Roma. Em 1659 0 papa Alexandre VII, da família Chigi, resolveu engrandecer a praça Colonna, e, quando os clérigos de São Paulo entregaram seu convento aos demolidores, cortaram uma parte da parede na qual um artista desconhecido pintara uma imagem de Maria, milagrosa, para levá-la consigo.
Nossa Senhora da Divina Providência
Mas, quando se tratou de colocá-la no lugar que lhe destinaram, o precioso afresco caiu e fez-se em mil pedaços.
O arquiteto, sentindo vivamente a perda do afresco, quis indenizar os religiosos, e a grande custo adquiriu um quadro da Virgem, obra-prima de Scipione Puizone. A pintura, que tem 54 cm de altura por 42 de largura, foi colocada no altar do oratório situado no primeiro andar do convento de São Carlos, por ser o local em que os religiosos se reuniam para os exercícios de piedade.
Descrição da imagem (pintura) que representa Nossa Senhora da Divina Providencia: a Virgem Maria esta revestida de uma túnica purpúrea e de um manto azul; um véu transparente lhe cobre a cabeça, recaindo elegantemente sobre os ombros; ela aperta amorosamente ao seio virginal a criança que segura nos braços e dirige suave olhar para o rosto adorável do mais belo dentre os filhos dos homens. 0 Menino não tem auréola, o que indica, na opinião de um cônego distinto, que Ele, além de ser o Filho de Deus, representa também os filhos dos homens. A mãozinha de Jesus, agarrada a mão da Virgem, indica a confiança, o abandono, a fé inquebrantável com que o coração humano deve, na hora do perigo, recorrer aquela que é o Refúgio dos atribulados.
Um dia, revolvendo com a alma cheia de amor os papéis do arquivo, descobriu o jovem Pe. Januário Maffetti um manuscrito da lavra do Pe. Palma, o qual conseguira, a custa de mil angústias, edificar o convento e a igreja de São Carlos.
A cada página o Pe. Palma proclamava que Maria fora sua única Providência.
A relação jazia, havia mais de um século, oculta no fundo da biblioteca.
Movido por celestial inspiração, o jovem religioso mandou tirar uma cópia do quadro original e, não achando na igreja um lugar apropriado para a pintura, suspendeu-a no corredor entre a igreja e o convento. Abaixo do quadro colocou a seguinte inscrição, ditada por seu amor: "Mater Divinae Providentiae".
Era o dia 13 de julho de 1732, sexto domingo depois de Pentecostes
Desde então cresceu e se expandiu por toda a parte, autorizada pelos sumos pontífices, a devoção a Nossa Senhora da Divina Providencia, a qual começou a ser divulgada no Brasil com a chegada dos padres barnabitas, em agosto de 1903.

Nossa Senhora da Consolação



O presente título é divulgado no mundo inteiro pela Ordem dos Agostinianos, posto que, segundo uma lenda, a ele deve-se a conversão de Santo Agostinho. Santa Mônica, angustiada pela morte de seu esposo e pelos desvarios de seu filho Agostinho, recorreu à Mãe da Consolação, tendo depois a grande alegria de ver seu filho convertido e tão fervoroso cristão, que é hoje é considerado um dos maiores santos doutores da Igreja. Santo Agostinho tomou como protetora a Consoladora dos Aflitos e seus filhos espirituais se encarregaram de divulgar sua devoção.
Segundo a escritora Nilza Botelho Megale, o Brasil nasceu sob a proteção da Virgem Consoladora.
Nossa Senhora da Consolação
Antes mesmo de Pedro Álvares Cabral chegar ao nosso país, Vicente Pinzón, navegador espanhol, companheiro de Colombo em suas viagens ao Novo Continente, descobriu um promontório, que se acredita ser o cabo de Santo Agostinho, ou a ponta de Mucuripe, em Fortaleza, ao qual deu o nome de Santa Maria de la Consolación.
Nossa Senhora da Consolação é invocada como padroeira dos lares, promovendo a harmonia no seio das famílias e a conversão dos filhos desviados, contando com grande número de devotos em nosso país.
O sentimento mais enraizado no coração humano é o desejo de felicidade. No entanto, nada mais comum do que o sofrimento entre os homens. Por isso mesmo, todos nós necessitamos de afeto e consolação; porém, neste mundo enganoso, muitas vezes não encontramos consolações humanas. Existe contudo uma fonte viva de esperança, um raio de luz que ilumina as trevas do desespero e distribui a paz aos corações atribulados. É a consolação dos Aflitos, a Mãe de Deus, Nossa Senhora da Consolação